segunda-feira, 3 de junho de 2013

Primeiro Amor

por que será que a gente lembra do nosso primeiro amor a vida inteira?
essa pergunta é muito interessante, porque todas as pessoas do mundo devem faze-la,intimamente,em algum momento...
Lembramos SEMPRE com tanta exatidão:é como se  revivêssemos aqueles momentos, cada vez que eles surgem em nossos pensamentos;nas nossas íntimas viagens pela infância....
o primeiro olhar,a primeira vez que a pessoa tão amada te diz simplesmente:- "OI" e você  sai flutuando...
o frio na barriga,as pernas bambas,que de tão moles ,dão a sensação de que vão derreter ( e o pior,de que você vai  cair e "pagar o maior mico', Justamente na frente de quem??)
as mãos suadas e geladas,a a boca seca, o coração:: que de tão acelerado, parece que vai dar um impulso e saltar pra fora,para que todo mundo veja o que já está muito evidente: estamos amando!!!
e quando o  "ser" amado descobre nossos sentimentos?
ficamos "Pra Morrer,"quereremos nos esconder de tudo quanto é jeito:embaixo da mesa,atrás de um amigo,ou até mesmo no banheiro da escola...
muitas vezes, até tratamos mal,ou com descaso o nosso Grande  Amor,para tentar disfarçar(em vão)
os nossos verdadeiros sentimentos:coisa de Criança,Né?
e quando por sorte,ou por obra do destino e de Deus descobrimos que ele (ou ela),sente  o mesmo?
a criatura dos nossos sonhos,o príncipe (ou a Princesa) da nossa história também nos ama...
é tanta felicidade que nem dá pra acreditar.
temos vontade de gritar, de pular,de contar para cada pessoa que conhecemos:um por um,pra ver se
"cai a ficha" ou até mesmo anunciar em megafone...

  1. e por fim,quando finalmente nos reencontramos e não há mais o que fingir ou negar:

ah,é a melhor sensação do mundo,afinal,todo mundo já sabe mesmo!
o que mais falta acontecer?
o Beijo,o aguardado,desejado e inesquecível Primeiro beijo...o primeiro de muitos,porém,o mais CONSTRANGEDOR E ENVERGONHADO, PRIMEIRO BEJO,DO NOSSO PRIMEIRO GRANDE AMOR!!!

sábado, 1 de junho de 2013

Salve-me, Salve-me

Meu primeiro amor. Tenho que chacoalhar as conexões dos meus neurônios para me lembrar, embora nem faça tanto tempo assim (uhum).
Era um menino bonito, loirinho, de olhos azuis, nerd até a tampa. E eu, mais parecida com um alienígena, pés chatos com botinhas de soldado, corte de cabelo tigela, estrábica de óculos aro grosso, ou seja, super modernosa (em Marte).
E eu naquele sonho, naquela fantasia, tentando sempre conversar, estar perto, e nada. Até que houve uma virada de sorte azar, ou de azar com sorte.
Estávamos no recreio, eu tinha umas balas no meu bolso dei uma para ele, e peguei a Soft vermelha, que eu adorava. Ele me contou uma piada, foi de matar de rir, literalmente, a bala Soft entalou.
O menino ficou doido, batia nas minhas costas desesperadamente, e eu naquela aflição, naquela tortura, sem conseguir respirar, até que ele, em um ato heroico, me deu um soco forte nas costas que fez a bala saltar longe.
Sorrimos, um sorriso cúmplice. Eu na verdade queria, beijar, pular em seus braços e dizer meu herói. Mas só disse obrigada, vermelha de vergonha ou de bala Soft vermelha.

E acabou que não rolou nada entre nós, e, hoje em dia, ele nem tá bonito. E eu, bom, meus consertos de beleza surtiram algum efeito. Não sou mais de Marte, agora sou de Vênus!

MINHA MÃE MANDOU, MAS E DAí?

Tudo começou quando eu ainda nem tinha consciência do que "existir e ocupar um espaço" significava. Na verdade ainda hoje tenho minhas dúvidas. 

De qualquer forma, não seria tão inimaginável prever que após um nascimento prematuro na década de 70, a sobrevivente de menos de 7 meses, se tornaria uma criatura insistente.

Já comecei pelo caminho mais difícil e nele me encontrei, ora por teimosia, ora por pura diversão. Mas claro, o destino muitas vezes foi mais forte. Sua primeira intervenção memorável foi aos meus 5 anos.

Estávamos apaixonadas, minha melhor amiga e eu, pela criança-menino mais fofo da sala. Não me lembro como a coisa se deu. Mas ele sabendo dos nossos interesses e, de alguma forma pueril, envaidecido pela dupla possibilidade, decidiu que escolheria com quem namoraria da forma mais madura possível.

E assim estávamos nós encostadas na parede enquanto ele lentamente começava apontando-nos o dedo: 

"- Minha mãe man-dou eu ba-ter..."
Eu contava junto, ansiosa, com receio do resultado... cada sílaba uma virada de alvo...
" ...eu esco-lhoes-ta da...

E o "da" - antecessor da escolha final e definitiva, parou em mim. F-I-M  D-O  M-U-N-D-O.

Mas por alguma simpatia que nunca vou entender qual foi - principalmente considerando a criança estranha que fui - ele interrompeu a seleção, disse que tinha contado errado e recomeçou de forma que a sílaba final coincidisse com seu dedo apontado para mim.

Foi a primeira vez que me apaixonei. Meu coração queria saltar pela boca, o dia ganhou uma cor diferente, e eu tinha uma criança menino que brincava comigo no tanque de areia. Sei lá quanto tempo depois num jantar com minha família anunciei:

"- Preciso conversar com vocês."
"- Fala filha, o que foi?"
"- Estou namorando!"

Risadas altas e sinceras, sabe-se lá por quanto tempo. Eu continuei firme. Naquele momento tudo era oficial: poderia continuar brincando com ele, fazendo desenhos juntos e algumas raras vezes até andar de mãos dadas. E assim se deu, por 1 ano inteiro...talvez menos ou mais já que tempo de criança nunca é preciso.

Fazíamos questão de sermos um par nas festinhas da escola. Lembro de uma ocasião em que fomos pedir para a "tia" nos destrocar de nossas duplas pré-selecionadas por ela. Queríamos ficar juntos. E tudo caminhava bem até que um dia, já maduros e na pré-escola ele quis "conversar comigo".

E assim, por um motivo tão relevante quanto o que o fez tomar sua decisão, terminamos para sempre: eu era muito alta!